{"id":1812,"date":"2013-07-09T00:01:53","date_gmt":"2013-07-09T02:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontrapraiagrande.com.br\/noticias\/?p=1812"},"modified":"2013-07-08T22:53:19","modified_gmt":"2013-07-09T00:53:19","slug":"idoso-realiza-sonho-de-ser-escritor-e-lanca-primeiro-livro-aos-96-anos-em-praia-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontrapraiagrande.com.br\/noticias\/idoso-realiza-sonho-de-ser-escritor-e-lanca-primeiro-livro-aos-96-anos-em-praia-grande\/","title":{"rendered":"Idoso realiza sonho de ser escritor e lan\u00e7a primeiro livro aos 96 anos em Praia Grande"},"content":{"rendered":"<p>Aos 96 anos e com uma invej\u00e1vel sabedoria, um mineiro natural da pequena Juruaia realizou o sonho de publicar o primeiro livro em\u00a0Praia Grande, no litoral de S\u00e3o Paulo. Oitavo filho de lavradores, Francisco Gon\u00e7alves Gameiro descobriu o seu dom de escrever poesia quando adulto, mas s\u00f3 conseguiu mostrar ao mundo seus textos na terceira idade. Ap\u00f3s o primeiro livro lan\u00e7ado em junho, ele t\u00eam planos para o futuro e quer montar uma biografia.<\/p>\n<p>Francisco aprendeu a escrever nas escolas rurais de Muzambinho, em Minas Gerais. Aos 22 anos, o idoso saiu do estado com destino a S\u00e3o Paulo, onde formou fam\u00edlia e passou a trabalhar no mercado t\u00eaxtil. Foi na Capital que ele\u00a0descobriu o amor pela poesia. \u201cEu tinha uma caligrafia boa e, por isso,\u00a0os patr\u00f5es me pediam para fazer cart\u00f5es. Algumas mo\u00e7as me pediam para eu fazer cartas para o namorado\u201d, conta ele. At\u00e9 que um dia uma delas passou a mandar poesias para Francisco e ele respondia. \u201cN\u00e3o tinha nada demais. Era uma festa de comemora\u00e7\u00e3o, com pessoas casadas, solteiras. E eu acabei tomando gosto. Gosto pela poesia\u201d,\u00a0explica ele.<\/p>\n<p>Depois de se aposentar, Francisco mudou-se para Praia Grande. Com ele, carregou artigos e poemas de sua autoria. A leitura di\u00e1ria de jornais e livros se tornou o combust\u00edvel para a montagem dos textos. \u201cEu tenho como professor do meu conhecimento, o meu portugu\u00eas, a minha literatura, os jornais. Eu recorto muito artigos, leio e\u00a0guardo\u201d, conta. Aos poucos, as palavras sa\u00edram do papel e foram para o notebook. Francisco aprendeu a escrever com o teclado e passar sua inspira\u00e7\u00e3o para as telas do computador. \u201cEu acordo \u00e0s 4h,\u00a0vou para o computador e come\u00e7a a vir uma frase. Depois\u00a0vem outra e mais\u00a0outra\u201d, afirma. Assim, o idoso montou um arquivo cheio de artigos e poesias.<\/p>\n<p>Em um encontro por acaso, o aposentado conheceu Celso Correa de Freitas, presidente da Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande, que conheceu as obras de Francisco. \u201cEle j\u00e1 tinha livros de brochura. Ele primeiro fazia as poesias, editava e tirava as c\u00f3pias. Foi nesse momento que eu conheci as obras dele\u201d, fala. A amizade se estendeu e Francisco passou a participar de rodas liter\u00e1rias e encontros de poetas. Todos\u00a0ficavam admirados pela riqueza do vocabul\u00e1rio que ele utilizava em seus textos. Celso considera o amigo um especialista em sonetos. \u201cSe a gente entende que a poesia \u00e9 a arte de transmitir emo\u00e7\u00f5es e sentimentos\u00a0por meio\u00a0do som, da m\u00fasica, da palavra, ele exatamente faz isso. Ele usa da palavra para traduzir os sentimentos dele. Nessa quest\u00e3o do sentimento ele fala da fam\u00edlia, da juventude, da vida em si e vai abrindo um leque de tudo aquilo que est\u00e1 em torno dele\u201d,\u00a0relata Celso.<\/p>\n<p>Mesmo com o reconhecimento dos poetas de Praia Grande, Francisco ainda n\u00e3o tinha tido a possibilidade de fazer um livro apenas com as obras dele. Ele j\u00e1 tinha tentado com algumas editoras de Praia Grande, mas as edi\u00e7\u00f5es ficaram mal elaboradas e Francisco estava desistindo da ideia. Depois de v\u00e1rias frustra\u00e7\u00f5es, uma das duas filhas dele preparou essa surpresa para o pai. \u201cEla pegou as poesias sem eu ver e tirou uma c\u00f3pia. Ela leu, gostou, levou para uma editora e mostrou para eles. Sem me falar nada, ela chegou aqui com o livro. Ela sabia que eu estava indo atr\u00e1s. Foi uma surpresa para mim. Ela trouxe para eu fazer a corre\u00e7\u00e3o. E, quando o livro ficou pronto, ela veio trazer aqui 300 livros em tr\u00eas malas cheias!\u201d, conta ele, empolgado.<\/p>\n<p>O livro \u201cPoeta do Cora\u00e7\u00e3o\u201d foi lan\u00e7ado oficialmente em junho de 2013, na biblioteca do Porto do Saber, da Prefeitura de Praia Grande, e j\u00e1 est\u00e1 registrado na Biblioteca Nacional. No dia do lan\u00e7amento, ele autografou os livros, recebeu elogios de autoridades, amigos e outros poetas. Ao lembrar-se deste dia em que realizou um de seus sonhos, Francisco se emociona. \u201cFiquei emocionado. \u00c9 uma obra que a gente fez com carinho. \u00c9 o meu sentimento gravado nisso aqui. Cada poesia tem um sentimento\u201d,\u00a0confessa ele.<\/p>\n<p>A obra \u00e9 recheada de poesias que falam, de uma forma rom\u00e2ntica, de diversos sentimentos, muitos vividos pelo autor. \u201cTudo \u00e9 poesia cl\u00e1ssica, da antiguidade. A poesia moderna hoje n\u00e3o tem rima. Eu fiz tudo isso aqui no que eu li de poesias\u201d, diz Francisco.<\/p>\n<p>Hoje, aos 96 anos, com 13 irm\u00e3os e mais de 70 sobrinhos, muitos que ele nem conhece, Francisco\u00a0acredita que ainda tem\u00a0bastante a transmitir para as novas gera\u00e7\u00f5es.\u00a0Ele quer escrever uma biografia, contando um pouco do que viveu e o que viu da vida. Vontade n\u00e3o falta para isso. \u201cN\u00e3o vou ficar parado. Quero fazer uma biografia, mas vamos ver. Eu acho que n\u00e3o vou morrer t\u00e3o cedo\u201d, brinca ele. Ao ler um trecho do poema \u201cMeus netos\u201d, de sua autoria e um dos preferidos dele, Francisco se emociona novamente quando percebe que as palavras sempre traduzem seus sentimentos. \u201cEnquanto eu viver quero ser guia; quando eu morrer, deixo-vos meu exemplo\u201d, declama.<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 96 anos e com uma invej\u00e1vel sabedoria, um mineiro natural da pequena Juruaia realizou o sonho de publicar o primeiro livro em\u00a0Praia Grande, no litoral de S\u00e3o Paulo. 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